E se nada acontecer?
E se nada acontecer? Se os rostos deformados e os sentidos mendigos, Os olhos famintos e as mãos que interrogam, A carne que sangra desejos E afoga a regeneração, Se transformarem na cinza das ausências E a dúvida acenar, ainda, Como um profeta maior? Se o silêncio pesar, como o remorso, Sobre o grito de angústia E a esfinge recolher o pranto e o riso do transfigurado? Se abortarem todos os sonhos E ele purificar os lábios no próprio sangue E nada acontecer? (Antônio Pinto de Medeiros Filho)