O futuro da educação -
JORNAL DE SANTA CATARINA
08/07/2011 | N° 12302 MOACIR PEREIRA moacir.pereira@gruporbs.com.br
O futuro da educação
Eram dois os cenários óbvios sobre a greve dos professores depois que o governador recebeu a diretoria do Sinte e o comando de greve. Pelo primeiro, com a aceitação pelos líderes sindicais da proposta de Raimundo Colombo, as assembleias regionais decidiriam pela volta as aulas. Teriam a confirmação pela assembleia estadual. Ali, unidos, mais fortes e coesos, os professores manteriam o estado de greve para continuar lutando por seus direitos, pela melhoria da educação e por mudanças urgentes no ensino público estadual. Iriam para a Assembleia Legislativa amarrar outros compromissos inadiáveis, como pagamento do piso na carreira, a realização imediata de concurso público de ingresso no magistério, mais autonomia para as escolas.
Energizados pela maior e mais bem organizada mobilização da história, os professores poderiam virar uma página da educação catarinense. Esta era, também, a saída defendida pelos líderes de oposição na Assembleia que marcaram presença ao longo de toda a greve. No segundo cenário, os professores deliberariam pela continuidade da greve, o esvaziamento seria inevitável pelo tempo prolongado, os pais iriam exigir a volta dos filhos às escolas, as comunidades questionariam o prosseguimento da greve, os professores já demonstravam exaustão e ninguém conseguia vislumbrar vitórias mais expressivas. Depois que o governador deu a palavra final não havia mais espaço para negociação ou exercício político, salvo a radicalização.
Os professores decidiram pela continuidade da greve. Já estão queimando gorduras pela legitimação política que conquistaram durante a histórica mobilização. O capital político acumulado está saindo pelo ralo. A perda de sustentação política já é um fato. O retorno as atividades é uma realidade. Numa batalha tão dura quanto esta é preciso agir com sabedoria para saber a hora de avançar e de recuar. A história e a literatura são fartas em relatos de grandes confrontos em que o grupo derrotado na primeira batalha recua para manter a tropa unida e, com fermento das ideias e das novas condições avança com mais firmeza sobre o adversário. Até vencer a guerra.
Posição do governo
Os educadores catarinenses fizeram estas e outras avaliações? Projetaram cenários? Ou foram conduzidos pela retórica fácil dos discursos que inflamam a massa, mas não conquistam os corações das bases? Ou, quem sabe, os líderes desta questionável decisão estão seguros de seu poder de fogo e das condições para atingir seus objetivos?
O horizonte que prevalece neste fim de semana é de fortalecimento da posição do governo. O jogo começa a virar a seu favor. O projeto de lei complementar com a proposta oficial está na Assembleia. Como o recesso parlamentar começa no dia 14 de julho não haverá prazo regimental para votação do projeto governamental. Quer dizer: para ir à votação e garantir melhorias salariais aos professores só com acordo de liderança. E todos os líderes, incluindo os do PT, PDT e PCdoB, decidiram que só apreciarão a matéria depois da volta dos professores à sala de aula. Caso contrário, a discussão fica para agosto. E os salários de julho sairão com os níveis de março, portanto, inferiores aos de junho.
Os professores foram embretados. O risco de cisão no magistério é maior. Quem já recebeu aumento não vai aceitar redução salarial. O secretário Marco Tebaldi reúne-se hoje em Lages com todos os gerentes educacionais para executar o programa de recuperação das aulas nas escolas que voltaram a funcionar. E o Sinte enviou ofício ao governador pedindo novas negociações. No Centro Administrativo, agora com o projeto na assembleia, as portas estão fechadas.
08/07/2011 | N° 12302 MOACIR PEREIRA moacir.pereira@gruporbs.com.br
O futuro da educação
Eram dois os cenários óbvios sobre a greve dos professores depois que o governador recebeu a diretoria do Sinte e o comando de greve. Pelo primeiro, com a aceitação pelos líderes sindicais da proposta de Raimundo Colombo, as assembleias regionais decidiriam pela volta as aulas. Teriam a confirmação pela assembleia estadual. Ali, unidos, mais fortes e coesos, os professores manteriam o estado de greve para continuar lutando por seus direitos, pela melhoria da educação e por mudanças urgentes no ensino público estadual. Iriam para a Assembleia Legislativa amarrar outros compromissos inadiáveis, como pagamento do piso na carreira, a realização imediata de concurso público de ingresso no magistério, mais autonomia para as escolas.
Energizados pela maior e mais bem organizada mobilização da história, os professores poderiam virar uma página da educação catarinense. Esta era, também, a saída defendida pelos líderes de oposição na Assembleia que marcaram presença ao longo de toda a greve. No segundo cenário, os professores deliberariam pela continuidade da greve, o esvaziamento seria inevitável pelo tempo prolongado, os pais iriam exigir a volta dos filhos às escolas, as comunidades questionariam o prosseguimento da greve, os professores já demonstravam exaustão e ninguém conseguia vislumbrar vitórias mais expressivas. Depois que o governador deu a palavra final não havia mais espaço para negociação ou exercício político, salvo a radicalização.
Os professores decidiram pela continuidade da greve. Já estão queimando gorduras pela legitimação política que conquistaram durante a histórica mobilização. O capital político acumulado está saindo pelo ralo. A perda de sustentação política já é um fato. O retorno as atividades é uma realidade. Numa batalha tão dura quanto esta é preciso agir com sabedoria para saber a hora de avançar e de recuar. A história e a literatura são fartas em relatos de grandes confrontos em que o grupo derrotado na primeira batalha recua para manter a tropa unida e, com fermento das ideias e das novas condições avança com mais firmeza sobre o adversário. Até vencer a guerra.
Posição do governo
Os educadores catarinenses fizeram estas e outras avaliações? Projetaram cenários? Ou foram conduzidos pela retórica fácil dos discursos que inflamam a massa, mas não conquistam os corações das bases? Ou, quem sabe, os líderes desta questionável decisão estão seguros de seu poder de fogo e das condições para atingir seus objetivos?
O horizonte que prevalece neste fim de semana é de fortalecimento da posição do governo. O jogo começa a virar a seu favor. O projeto de lei complementar com a proposta oficial está na Assembleia. Como o recesso parlamentar começa no dia 14 de julho não haverá prazo regimental para votação do projeto governamental. Quer dizer: para ir à votação e garantir melhorias salariais aos professores só com acordo de liderança. E todos os líderes, incluindo os do PT, PDT e PCdoB, decidiram que só apreciarão a matéria depois da volta dos professores à sala de aula. Caso contrário, a discussão fica para agosto. E os salários de julho sairão com os níveis de março, portanto, inferiores aos de junho.
Os professores foram embretados. O risco de cisão no magistério é maior. Quem já recebeu aumento não vai aceitar redução salarial. O secretário Marco Tebaldi reúne-se hoje em Lages com todos os gerentes educacionais para executar o programa de recuperação das aulas nas escolas que voltaram a funcionar. E o Sinte enviou ofício ao governador pedindo novas negociações. No Centro Administrativo, agora com o projeto na assembleia, as portas estão fechadas.
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